Carta expõe suposto motivo de secretário tirar a vida dos próprios filhos

A cidade de Itumbiara, no sul de Goiás, amanheceu em silêncio nesta quinta-feira (12). O que era para ser apenas mais uma semana comum no calendário do município ganhou contornos de tristeza profunda após a confirmação da morte do secretário de Governo, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, e de seus dois filhos, de 12 e 8 anos. O episódio, ocorrido dentro da residência da família na noite de quarta-feira (11), mobilizou equipes de segurança e deixou a comunidade consternada.

Thales, que também era genro do prefeito Dione Araújo, ocupava um dos cargos mais estratégicos da administração municipal. Nos bastidores da política local, era visto como articulador e figura próxima ao chefe do Executivo. Mas, nas horas que antecederam o ocorrido, o cenário público contrastava com o drama pessoal.

Pouco antes dos fatos, ele publicou nas redes sociais um vídeo ao lado das crianças. As imagens mostravam um momento aparentemente comum entre pai e filhos, acompanhado de uma mensagem de afeto. Para quem assistiu depois, o conteúdo ganhou um peso difícil de explicar. Além do vídeo, uma carta aberta também foi divulgada em seu perfil. No texto, ele falava sobre o fim do relacionamento conjugal, mencionava suspeitas de traição e descrevia um sofrimento emocional que, segundo suas palavras, se arrastava há anos.

A carta, posteriormente removida das redes, foi preservada pelas autoridades para análise no inquérito. Em tom confessional, Thales escreveu que havia tentado manter a família unida e que tomou uma decisão no dia em que completou 40 anos, data que classificou como especialmente negativa em sua vida. O texto trazia ainda pedidos de perdão a familiares, referências religiosas e mensagens direcionadas aos filhos, revelando um estado emocional fragilizado.

A Polícia Militar isolou a área assim que foi acionada. A perícia técnica realizou os procedimentos necessários, enquanto a Polícia Civil instaurou investigação para esclarecer todos os detalhes da dinâmica do caso. O filho mais velho chegou a ser levado ao Hospital Municipal Modesto de Carvalho, mas não resistiu pouco depois de dar entrada na unidade. O caçula passou por cirurgia e foi encaminhado à UTI em estado gravíssimo, falecendo na manhã seguinte.

A prefeitura de Itumbiara decretou luto oficial de três dias. Em nota, o município lamentou as mortes e manifestou solidariedade aos familiares e amigos. O comunicado destacou o impacto do ocorrido para a cidade, que tem pouco mais de 100 mil habitantes e onde muitos se conhecem pelo nome.

Nas ruas e nas redes sociais, o sentimento predominante tem sido de perplexidade. Moradores relatam dificuldade em encontrar palavras. “A gente nunca imagina algo assim tão perto”, comentou um comerciante da região central, ainda abalado.

Até o momento, representantes da família não haviam se pronunciado publicamente sobre o conteúdo da carta. As investigações seguem em andamento, e a expectativa é que os próximos dias tragam mais esclarecimentos.

O caso também reacende um debate importante sobre saúde emocional, especialmente em momentos de crise conjugal e pressão pessoal. Especialistas reforçam que sinais de sofrimento psicológico não devem ser ignorados e que buscar ajuda profissional pode ser decisivo. Em meio à dor, fica a reflexão sobre a importância do diálogo, do acolhimento e da atenção aos sinais que, muitas vezes, passam despercebidos no cotidiano.

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